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Archive for the ‘Pílulas Degustativas’ Category

De: Nailde Silva.
Ser cadeirante é ter o poder de emudecer as pessoas quando passa por elas. É não conseguir passar despercebido, mesmo quando se quer! É ser completamente ignorado quando precisa da ajuda de um andante ao lado.

Ser cadeirante é amar elevadores e rampas. Detestar escadas. Tapetes? Só se forem voadores!

Ser cadeirante é ter alguém falando como se ele fosse uma criança, mesmo que já tenha mais de duas décadas. É despertar uma cordialidade súbita e estabanada em algumas pessoas. Embora seja engraçado, não ri porque é bom saber que ao menos existem pessoas tentando tratá-lo como igual e uma hora eles aprendem!

Ser cadeirante é conquistar o grande amor da sua vida e deixar as pessoas impressionadas. Mas depois ficar impressionado por não entender o porquê do espanto.

Ser cadeirante é ter uma veia cômica exacerbada. É fato! Pois só com muito bom humor para se tocar a vida, as rodas e o povo sem noção que aparece no caminho.

Ser cadeirante é ficar grávida e ter a certeza de ouvir: “Como isso aconteceu?” E querer responder: “Foi a cegonha. Não há dúvidas! Pois os pés de repolhos não são acessíveis!”

Ser cadeirante é ter repelente a falsidade. Amigos falsos e cadeiras são como objetos de mesma polaridade: se repelem automaticamente.

Ser cadeirante é ser empurrado por aí mesmo quando se quer ficar parado. É saber como se sentem os carrinhos de supermercado! É encarar o absurdo de gente sem noção que acha que porque já estamos sentados podemos esperar.

Ser cadeirante é uma vez na vida desejar furar os quatro pneus e o estepe de quem desrespeita as vagas preferenciais.

Ser cadeirante é se sentir uma ilha na sessão de cinema. Porque os espaços reservados geralmente são um tablado, ou na turma do gargarejo, ou mesmo com uma distância segura para que não entre em contato com os outros andantes, mesmo que um deles seja seu cônjuge!

Ser cadeirante é a certeza de conhecer todos os cantinhos. Porque Deus do céu! Sempre tem um querendo colocá-lo num cantinho.

Ser cadeirante é ter que comprar roupas no “olhômetro” porque na maioria das lojas as cadeiras não entram nos provadores.

Ser cadeirante é viver e conviver com o fantasma das infecções urinárias, e desconfiar seriamente que a falta de banheiros adaptados contribua para isso.

Ser cadeirante é se sentir o próprio guarda volumes ambulante em passeios com amigos ou familiares.

Ser cadeirante é curtir handbike, surf, basquete e outras coisas que deixam os andantes sedentários morrendo de inveja. É dançar maravilhosamente com entusiasmo e colocar alguns “pés-de-valsa” no bolso.

Ser cadeirante é ter um colinho sempre a postos para a pessoa amada. E isso é uma grande vantagem!

Ser cadeirante mulher é encarar o desafio de adaptar a moda para conseguir ficar confortável além de mais bonita.

Ser cadeirante é se virar nos trinta para não sobrar mês no fim do dinheiro. Porque a conta básica de um cadeirante merece ser chamada de “dolorosa”.

Ser cadeirante é deixar muitos médicos com cara de: “E agora o que eu faço”? Ao entrar pela porta do consultório. Isso quando não fica impossível entrar porque a cadeira não passa na porta estreita.

Ser cadeirante é não ver um corrimão ou ver um canteiro de obra no meio de uma rampa. Ou até se deparar com rampas que acabam em um degrau, e nessas horas se perguntar: “Onde estudou a criatura que projetou isso? Será mesmo que estudou?”

Ser cadeirante é ir à praia mesmo sabendo que cadeira + areia + maresia não são uma boa combinação!

Ser cadeirante é sentir ao menos uma vez na vida vontade de sentar no chão e jogar a cadeira na cabeça de outro ser humano que esqueceu a humanidade no fundo da gaveta de casa!

Ser cadeirante é ter que aprimorar os sentidos. Porque com a perda dos movimentos os braços precisam ser mais fortes, a audição mais aguçada que a do Super-Homem, ter a visão de uma águia, poder soltar o verbo a plenos pulmões, ao identificar já de longe a falta de acessibilidade na maioria dos lugares.

Ser cadeirante é “viver e não ter a vergonha de ser feliz”, mesmo quando as pessoas olham para a cadeira e já esperam ansiosas por uma historinha triste.

E se tudo isso não faz sentido para muitos, saibam que se as pernas e os braços não estão funcionando bem, o resto está!

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P.s: Gente! Adorei e ri muito ao ler esse texto! Daí quis trazê-lo para cá. E confessando que dei uma editada nele. Mas foi para torná-lo mais prazeiroso de ser lido. Vício de quem administra um blog coletivo faz tempo. Agora, os aplausos vão todos para a autora do texto! É genial até por mostrar a todos o óbvio! 🙂

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Pois eles não podiam te amar
mesmo sendo verdadeiro teu amor.
E quando não havia esperança à vista
…em uma noite muito estrelada
você se matou como fazem os amantes.
Mas eu poderia ter te dito, Vincent,
que este mundo não foi feito para alguém
tão lindo quanto você.

Vincent van Gogh em alguns quadros mostrou que as estrelas são mais que pontinhos no céu. São o que sentimos, não o que vemos. Pois é “Noite Estrelada” não foi a única que ele retratou. Então, Don McLean escreveu uma “Vincent” para externar sua admiração pelo pintor. E com isso fez música e letra de emocionar. Pura poesia!

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jaboticabeiraContei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de ‘confrontação’, onde ‘tiramos fatos a limpo’.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: ‘as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa… Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena.

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• Não tenhas certeza absoluta de nada.

• Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.

• Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.

• Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.

• Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.

• Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.

• Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.

• Encontres mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.

• Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares escondê-la.

• Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.

Bertrand Arthur William Russel.

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Estou sempre em atraso com esse blog. Mas como ainda estamos no mês de março, ainda é tempo de deixar uma homenagem pelo Dia Internacional da Mulher – 8 de Março. Amei esse texto! Ele faz um belo elogio às mulheres da minha geração, principalmente numa atualidade onde aceleram muito a maturidade de uma menina para logo depois descartá-la por outra mais jovem. Se essas pudessem perceber que tudo tem um tempo certo. É onde aproveitamos muito mais o percurso do que o ponto da chegada.

As Mulheres da Minha Geração, de Santiago Gamboa.

É o único tema em que sou radical e intolerante, no qual não escuto argumentações: As mulheres da minha geração são as melhores e ponto.

Hoje têm quarenta e picos, inclusive cinqüenta, e são belas, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e, sobretudo, diabolicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta afetuosa celulite que capitoneam suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais.

Formosamente reais.

Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciados e recasadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarto intento.

Que importa?

Outras, ainda que poucas, mantém um pertinaz celibatarismo e o protegem como a uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando abre suas portas a algum visitante.

Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!

Nascidas sob a era de Aquário, com a influência da música dos Beatles, de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do “boom” latino-americano, são seres excepcionais.

Herdeiras da “revolução sexual” da década de 60 e das correntes feministas que, entretanto, receberam passadas por vários filtros, elas souberam combinar liberdade com coqueteria, emancipação com paixão, reivindicação com sedução.

Jamais viram no homem um inimigo, apesar de que lhe cantaram umas quantas verdades, pois compreenderam que se emancipar era algo mais que colocar o homem para esfregar o banheiro ou trocar o rolo de papel higiênico, quando este tragicamente se acaba, e decidiram pactuar para viver em dupla, essa forma de convivência que tanto se critica, porém, que com o tempo, resulta ser a única possível, ou a melhor, ao menos neste mundo e nesta vida.

São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam.

Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam sua parecença com Maria, a Virgem, em uma noite louca de sexta-feira ou de sábado, depois de dançar El raton, de Cleo Feliciano, na Teja Corrida ou em Quebracanto, com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Gurdjieff e do cinema de Bergman.

No fundo de suas mochilas havia pacotes de Pielroja, livros de Simone de Beauvoir e fitas de Victor Jara, e ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos, dedicavam-nos aquela canção de Héctor Lavoe, que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, e que se chama Teu amor é um jornal de ontem.

Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor canções de Silvio Rodriguez e Pablo Milanez, conheceram os sítios arqueológicos, foram com seus namorados às praias, dormindo em barracas e deixando-se picar pelos pernilongos, porque adoravam a liberdade, algo que hoje inculcam em seus filhos, o que nos faz prever tempos melhores, e sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje continuam fazendo na sua formosa e sedutora madurez.

Souberam ser, apesar da sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas. Deusas com sangue humano.

O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu acompanhante por dentro.

A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo, ainda quando nos façam sofrer, quando nos enganam ou nos deixam, pois seu sangue não é tão gelado o suficiente para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela melodia do Santana.

Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 a 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você.

Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!

Texto do escritor colombiano Santiago Gamboa.
Tradução livre de Luiz Augusto Michelazzo.

P.s: Desconheço a Autoria da imagem. Se alguém souber, me avise.

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Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores.”

O saber a gente aprende com os mestres e com os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes.”

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade.

Saber Viver

Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura… Enquanto durar.

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.

Versos… não. Poesia… não. Um modo diferente de contar velhas (e novas) histórias.”

Cora Coralina

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