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Archive for the ‘Divisor de águas’ Category

presente-de-um-grande-amigoEra uma vez… um cavalheiro motorizado deixara um convite para uma dama ir viver emoções incríveis num certo parque… Passado alguns anos…” Pois é! Se minha veia poética não tivesse se perdido na adolescência levando-me a quase relatos crus da minha realidade… Eu bem que poderia narrar essa nova história desse jeito. Até porque esse cavalheiro o qual eu o nomeei de Mosqueteiro numa história que já contei aqui, me presenteou com sua amizade… Esse ano, como se já não fosse um grande presente de aniversário passar um final de semana de Sampa na casa dele… O Taz (Rubens) me levou a conhecer o um lugar incrível: o Parque dos Sonhos.

O local também atende aos de “necessidades especiais” nos esportes dentro do eco turismo. Desde o tal convite batia uma vontade de participar dessas atividades… Fiz o Circuito das Tirolesas… o Rapel do BerroCavalgada… De pronto, já adianto que amei de querer participar até de outras mais atividades. Mas por hora paro por aqui porque essa aventura virá em alguns textos.

Agora é mais para deixar o registro desse presente de aniversário que eu ganhei esse ano desse dileto amigo. E que se como cadeirante não posso ser também companheira de jornadas de motocicleta, já posso ser nos “esportes radicais” dentro da natureza exuberante que ainda tem no nosso país… \o/ Eu, Taz e Zeca voando sobre planícies verdejantes belíssimas!

Claro que mais uma vez dei uma certa mão-de-obra para eles… Afinal, é complicado em se ter uma hóspede cadeirante! Pelo carinho recebido, sinto que sou bem-vinda! Mas longe de mim abusar. Juntou a vontade de revê-los com o conhecer o tal parque. Sendo que dessa vez, até por conta de um dia inteiro ficar para esse passeio, o turismo urbano dentro de Sampa ficou em conhecer a casa de outra dileta amiga: a Criz. E no percurso um pouco mais dessa cidade que aprendi a amar conhecendo-a de pertinho.

Assim… Esse grande amigo marca mais um divisor de água em minha vida porque até em rever minha foto no alto daquele rapel onde me senti literalmente nas nuvens… renovou a vontade de que ainda tenho muito para viver! Mais do que um presente, foi um presentaço! Valeu! Te quero muito bem!

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É! Completando hoje 1 aninho em voltar a morar sozinha. Não dá para passar em branco. Me dando os Parabéns! Consegui superar a cada obstáculo que surgia.

O início: Depois de muito acalentado surgiu uma oportunidade de voltar a morar sozinha. Cadeirante. Ganhando muito pouco. Ainda tive mais obstáculos do que ajudas para esse intento. Não foram fáceis, mas ultrapassei a todos eles. A vontade era tanta que até a dor diante a tantas imposições foi algo mais a ser superado também. Talvez por já está acostumada de que nada para mim veio fácil; muitos até tiveram um alto preço. Assim não haveria motivos para surpresas. E não tive!

O durante: A cada dia desse primeiro ano fui me adaptando e adequando a casa a mim. Como um novo dia. Por ir vendo como eu venceria os novos limites. A casa ainda não está cem porcento acessível, principalmente na cozinha e na área de serviço. Faltam recursos financeiros. O balcão da pia está alto com isso a torneira também. Além de que embaixo da pia há um sobrepiso que impede da cadeirinha que uso para me locomover dentro de casa entre um pouco por baixo dela. O que me ajudaria a manusear a torneira sem me esticar toda.

Pelo menos no banheiro com as adaptações feitas me facilita um pouco mais na hora do banho. Poder tomar banho sem pedir ajuda é bom demais. Se pintasse grana pelo menos rebaixaria o registro/torneira do chuveiro. Para também alcançá-lo fora do box. Ele fica no alto. Já com o piso do box por ser mais alto que o do restante do banheiro, teria que gastar mais. Se ele estivesse num nível mais baixo, uma rampa tornaria o acesso ao banho mais fácil.

Criei expectativas de que receberia muitas visitas. Era também algo sonhado. Mas quase não veio ninguém. E tenho uma família numerosa. Com isso os momentos de tristeza foram muitos. Doía mais isso do que o custar a fazer algum serviço na casa. O que me faz não mais esperar que venham me ver nesse segundo ano que se inicia. Somente daqueles que vieram.

Se por um lado, meus pais criaram muitas barreiras para morar sozinha, são os que mais me tem ajudado. Inclusive, financeiramente. Até porque o apartamento é deles. Com o que eu ganho, ter que pagar aluguel, seria um obstáculo diria que impossível de vencer. Não ainda. Fica aqui meu muito obrigada a eles!

Uma outra pessoa a vir me ver muito mais vezes é o meu sobrinho Neto. Seu apreço, não tem preço!

As superações, assim como as adaptações com a casa, com os afazeres domésticos… em tudo que abrange a acessibilidade vou contar aos poucos. Até já contei, como foi com a rampa na portaria do prédio. E nada ainda em ter uma rampa decente no prédio onde eu moro. Aliás, no condomínio por um todo a acessibilidade é zero. Sem rampas. Calçadas esburacadas.

Mas fica a vontade ainda maior de emplacar muitos outros anos!

Tim-tim!

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motoca-do-tazPara quem vem acompanhando esse blog estão sabendo que eu o criei focando mais o meu momento atual, com um pouco do que antecedeu também, mas sobretudo do período onde a limitação na locomoção veio para ficar. E com ela veio um me isolar do mundo por não me ver mais útil nele. Mas eis que num grupo na net conheço um cara que de imediato a alegria no que escrevia me fez ficar atenta. Seu jeito de ser era cativante! Acho que as primeiras mensagens foram fora do contexto do grupo. Veio num retorno a uma brincadeira minha lá dentro. Eu tinha ficado um período sem pc, logo mais isolada eu ficara na minha jungle.

Seu nick, Taz. Seu nome, Rubens.

Assim se deu início a nossa amizade! Formamos um grupo paralelo ao tal grupo; e a nós logo também vieram mais três: Paulo, Zeka e por um tempo a Aninha. Nossas trocas de mensagens foram intensas. Super divertidíssimas em sua grande maioria. Eu ria de chorar. O que para mim já era um bálsamo. Graças a eles meus dias ganharam vida!

O melhor de tudo foi que ele quis criar vínculos também fora do mundo digital. Por conta disso eis que ele se mostra disposto a ir me conhecer. E ai… Bem, tentarei fazer um resumo do que veio depois. Até porque seriam longas histórias, e que também há as de foro íntimo, que pertencem a nós.

Acontece que eu ainda não contara a ele e nem ao Zeka sobre a minha real situação física. Até esse momento, e no mundo digital, apenas três pessoas sabiam. Então, eu contei! Março de 2006. E sentindo um baita remorso porque ainda não tinha contado a eles. Mas no retorno que deram minhas lágrimas desceram livres, lívidas, como uma redenção. Um trechinho apenas do que ele disse:

Rubens: “Em momento nenhum chegaria a pensar que vc mentiu, omitiu, nem deu motivo nenhum para perdermos confiança, pelo contrario, só positivismo e alegria. Bato palmas para seu astral e para sua vontade de manter a cabeça em perfeito funcionamento, desejo todas as melhoras do mundo pra vc de coração. Estou verdadeiramente na torcida para vc conseguir vencer e se recuperar, e no que for possível ajudar/participar estarei sempre disponível.

Ainda demorei um pouco para “liberar” a ida deles até mim… E após liberar houve alguns imprevistos que acabavam adiando essa ida deles… Então num belo dia o Rubens praticamente marcou a ida. Esse é o Rubens! Ele é ágil e age! Não mais aceitaria nenhum adiamento. Iria até sozinho, mas iria! E num feriado da independência desse mesmo ano os três combinaram de vir.

Foram! Chegaram Rubens e Paulo. A moto do Zeka dera defeito, daí só chegou no dia seguinte. E eu só fiquei sabendo no momento da chegada dele, e ao ver algo memorável: o Rubens dar um pulo na cadeira ao ver que o amigo enfim chegara são e salvo. Zeka chegava sozinho, já noite, na jungle. O Rubens é mesmo amigo dos amigos!

Bem, nem tudo foram flores… Tantos, que num momento desses, o Rubens pareceu ler meu pensamento. E se eu ainda tivesse dúvidas do quanto ele é nota mil, nessa hora ele selou de vez o meu total apreço por ele ser o que é. Antenado com o que vai no interior da gente. A amizade dele me faz pensar naquele texto que corre pela net: ‘Pegadas na Areia‘. Para quem conhece essa história nem precisa dizer mais nada da minha estima por ele.

Ah! Eu andei com ele de moto, na garupa, claro que eu adorei! O Zeka que chegou no dia seguinte terá um texto também. Afinal eles formam Os Meus Três Mosqueteiros. Assim, estávamos enfim reunidos num ao vivo.

Eles vieram me libertar também dos muros que eu criei. Me fazendo querer “voltar” ao mundo.

Por conta disso, e de muito mais, que eu digo que a amizade com o Rubens, em tê-lo conhecido, veio como um divisor de águas na minha vida.Valeu! Muito bom que nossos caminhos se cruzaram!

E na despedida desse primeiro encontro ele me convidou para conhecer Sampa ficando na casa dele. Conhecendo-o, eu sabia que não era da boca-para-fora. Bem, antes eu tivesse aceito logo depois porque ainda caminhava. Já com um pouco de dificuldade, mas com certeza não daria o trabalho que eu dei a ele, a sua mãe, e a Criz. Indo agora em janeiro, mas essa história, a minha ida a Sampa virá ainda, e em vários textos. Por hora, um beijo no coração dele!

Para finalizar fui buscar mais um trechinho da carta do Rubens, e que ficaria muito bem como uma tradução do que representa esse blog, como também o Harém (Orkut), a internet para mim… E mais ainda de agora em diante. Eis:

Acho muito louvável sua solução de participar virtualmente de tudo através do PC, uma grande ideia, de muita inteligência, muito sagaz. Vc está utilizando a ferramenta ao seu favor, parabéns!!!

Que eu agora espero também ajudar de alguma forma uma outra pessoa que também virou um bichinho de toca a voltar ao mundo. Como também ficarei numa torcida que também encontre um amigo-irmão como ele!

“Cara! De ti, eu teria ainda muito o que contar, e até contarei – aguarde os próximos capítulos 🙂 -, e seriam só coisas boas! Você é o melhor amigo que alguém possa querer! Ganhei um presente do céu por me querer como sua amiga! Olha! Quem não gostar de ti, como já lhe contei, deve meter uma bala nos miolos, pois não merece continuar vivo! Tens a minha gratidão eterna por tudo que fez e faz por mim! E que não faz como muitos que querem em outdoor tudo o que fazem. O seu Bem-querer sai puro do coração!
Mesmo de longe, seu carinho chega aqui! Eu te adoro!”
 

P.s: Em 17/07/2012. Este texto está a partir de agora participando da última fase – Reintegração – da Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços.

Porque a Amizade do Rubens com toda a certeza me reintegrou à vida.

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espinhos-e-flores_by-lellaNão é fácil ver que não mais poderá sair caminhando sozinha. Ainda mais com um temperamento de que faz muito mais que pede.  Depender fisicamente de outras pessoas. Foi brabeira aceitar. Noites e mais noites em lágrimas. Olheiras profundas por conta disso. O direito de ir e vir à mercê da boa vontade das pessoas. É, também existe os espinhos!

Mas eis que surge um anjo da guarda que doou parte do seu tempo para mim. Nossos caminhos cruzaram num Grupo de Sonhos, pela internet. Até então, somente um pessoa sabia da minha real situação ali dentro. Mas ele parecia intuir. E ficava oferecendo ajuda; em e por pvt. Eu não achava justo! Era o ganha-pão dele! Mesmo assim ele ofereceu sua ajuda.

Então, num dia ao analisar um sonho meu, chorando muito ao ler o que escreveu, eu não tinha mais forças para não aceitar a ajuda dele. Eu a queria tanto! Precisava e muito! Era chegado a hora dele saber tudo que eu ocultara. Eu contei! E esse anjo se materializou-se num amigo! Com o passar dos dias, meses, foram rareando as noites em lágrimas. Foi esse trecho, em especial, que mostrou também o quanto ele é fera na sua profissão:

Eu -“A casa estava cheia; como férias… fui até a cozinha quando ele apareceu, me perguntou se eu não ligaria a bomba (é bomba d’água; aqui a água vem de nascente; precisa da bomba para levar a água para a caixa; logo não é bomba = explosivo.)”

Ele – “Pois é… bomba me faz pensar (explosiva ou não) em movimento… ao contrário do grupo, não associo água com sentimento… pra mim faz mais sentido intuição, e, principalmente, os caminhos que a energia percorre… como se ligar a bomba pudesse ser algo como levar energia a onde não tem por forças “naturais”…”

Percebem!? Mesmo que não fosse para aceitar a sua ajuda, eu não podia mais não contar do meu problema a ele. E só para terem uma idéia de quando iniciou de fato essa ajuda, foi em Maio de 2005. Caramba! Passa um filme agora na minha cabeça. Lágrimas descem.

Eu sou  mais que uma testemunha, sou alguém que pode atestar que a Terapia Online, realizada por alguém competente, vai tirar muitos do inferno mental que passam. Pessoas com dificuldade de locomoção, por vezes morando num local sem consultórios. Dai, vou pegar aqui, essa bandeira: Descriminem a TOL!

Nós não fizemos uma TOL de fato e de direito. Primeiro, porque não rolou nenhuma transação comercial; não houve pagamentos. Segundo, porque foi sim uma troca de intimidades, de particularidades entre dois amigos. Nos tornamos grandes amigos! Mesmo assim, irei omitir o nome dele aqui porque pode aparecer um espírito-de-porco e prejudicá-lo. O importante é que ele sabe que é dele que falo aqui. Ele me ajudou a não me machucar mais com os espinhos.

Saudades das nossas conversas, cara! E sou eternamente grata pelo BEM que fizeste a mim! Te adoro!

 

 

 

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dedo-de-deus3Em Setembro de 2008 após um passeio até Friburgo eu percebi que não dava mais para adiar o inevitável. Teria que partir para uma cadeira de rodas. Por querer voltar a circular nas calçadas, ir nas lojas… E foi o que eu fiz! Claro que o lado racional ainda levou uns dias para conter as lágrimas do lado emocional. Mas a decisão já estava tomada. Com ela, a cadeira, eu ganharia novas pernas… Ela seria a bomba d’água a dar continuidade a fonte que ainda continuava jorrando…

Então, ganhei do meu irmão Beto a primeira cadeira de rodas. E que ainda estou com ela. No quarto treinando o pit-stop foi demorado. Mas depois que aprendi ficou mais rápido.

A minha primeira saída de casa com ela foi indo votar no 1º Turno das Eleições, em Outubro (2008). Lá, manobrei direitinho sem tocar na mesinha com a urna eletrônica. Huhu!

E a emoção que senti na calçada entre as pessoas foi algo indescritível! Eu renasci ali naquele momento. Deu vontade de dar um tapa na testa e dizer para mim mesma: “Sua burra! Olha o que estava perdendo!?” Que bom que eu acordei. Como eu disse para os Amigos: “Eu agora quero ganhar às ruas!

Ah! Um Beijão grande no meu sobrinho Neto que me acompanhou nesse Turismo pela Serra dos Órgãos! Valeu! Foi muito bom! Até pelo prazer da sua companhia 🙂

P.s: Em 13-05-2012, esse texto está participando da 3ª Fase da Blogagem Coletiva “Amor aos Pedaços”, cujo tema desse vento é “Esperança“. Dada a permissão em participar com um texto já com uns anos de publicado, deixo então o registro da minha participação. E escolhi esse meu texto “Apontando Novos Horizontes…” porque ele melhor traduz a minha vontade de continuar vivendo. Ele carrega todas as minhas esperanças nessa minha nova realidade, através da cadeira de rodas. Me levando a trilhar esse meu novo caminho.

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